A Resiliência da Copa

SIDNEIA PERES DE FREITAS – PSICÓLOGA E NEUROPSICÓLOGA

A Copa do Mundo de Futebol no Brasil chegou ao final e nos deparamos com vários sentimentos, comportamentos e atitudes nesse curto espaço de tempo.

Iniciamos a Copa com uma torcida tímida, tentando talvez não externalizar todo sentimento patriota de euforia e felicidade, como se ao torcer pela seleção e exaltar a pátria não valorizássemos ou esquecêssemos todos os problemas enfrentados pelos brasileiros em seu dia a dia, em seus incontáveis problemas relacionados a saúde, educação, transporte, corrupção, altos impostos entre muitos outros. E ainda, talvez fossemos coniventes com uma condição velada de uso do mundial para fins políticos, como aconteceu na ditadura.

Desta maneira, com o decorrer fomos vencidos por um sentimento que transcendeu nossa racionalidade, como algo visceral, verdadeiro e não conseguimos ignorar nossos rituais de vestirmos verde e amarelo, pintar as ruas, se emocionar com o hino, se juntar com amigos e familiares na torcida, tocar nossas vuvuzelas, enfim, impossível tratar com indiferença esse período. Talvez porque, nesses momentos, sentimos que somos brasileiros e que a Copa nos faça refletir que espaço é esse no futebol que tem tamanha eficácia na construção de uma identidade nacionalista, patriota.

Temos que refletir de que forma podemos estender esse sentimento e expressar que estamos atentos aos problemas do nosso país. Ser patriota é exercer a cidadania como um ser pensante que participa das mudanças que conduzem, de fato, a comunidade para uma melhor qualidade de vida.

A derrota do Brasil nos deixou atônitos e isso nos leva pra muitos momentos de nossas vidas, onde a contrariedade e os problemas diários nos tomam e temos que usar essa frustração de forma transformadora e produtiva.

Nesses momentos, como também em nossas vidas, tentamos encontrar um culpado para transferir a responsabilidade, o Felipão ou o Mick Jagger, sem nos responsabilizarmos, tira-se o culpado do caminho para tudo permanecer igual. É contra isso que devemos lutar e reagir pra desenvolver esse orgulho nacional que nos falta, que se compara a auto estima para os indivíduos e isso não é apenas um otimismo ilusório em relação aos problemas da vida, mas sim o que conduz a elaborar uma estratégia para as mudanças necessárias.

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