Adolescência: momento de construção e conflitos

SIDNEIA PERES DE FREITAS – PSICÓLOGA E NEUROPSICÓLOGA

A adolescência é uma etapa particularmente difícil, marcada por mudanças intensas, tanto físicas quanto psicológicas e está relacionada com a formação da identidade do indivíduo.

É muito comum, durante esse período, um conflito interno no contexto da construção dessa identidade, que transita entre o si mesmo real, o si mesmo ideal e o si mesmo visto pelos outros. Tudo isso, além de uma busca pela autonomia que permeia zonas de pleno conflito, relacionadas, na maioria das vezes, com aquilo que desafia e transgride as regras.

O aumento da complexidade, dentro do contexto dessa busca para compreender a si mesmo, expõe o adolescente à crises existenciais. E, dependendo da carga genética, do ambiente em que o adolescente, do envolvimento e acolhimento dos pais, essas crises podem se transformar em problemas psicológicos de toda ordem como transtornos alimentares, abuso e dependência de drogas, fobias, depressão, diminuição no desempenho escolar, problemas de conduta, entre outros.

Paralelamente à adolescência dos filhos, os pais não raro também se encontram em crise, seja pelo fato de perceberem que estão próximos da meia idade e do enfrentamento da envelhecimento (e das mudanças relacionadas a ele, o que exige uma continência interna), seja pela ausência e empenho na busca pelo conforto, dinheiro, vida profissional.

Nesse contexto, os pais se encontram em uma posição desvantajosa para buscar dentro de si os parâmetros para a discussão sobre a delimitação dos espaços de liberdade, horários e permissões em geral e isso se torna uma grande fonte de embates entre pais e filhos.

Conduzir com firmeza a construção desses espaços, saber ouvir, dar esse suporte emocional com sabedoria e empatia, acolher as necessidades de toda ordem, proporcionar momentos agradáveis no âmbito familiar significa amenizar os conflitos dessa fase tão singular da vida, tanto para os adolescentes quanto para os pais.

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