Dependência do Álcool

DRA. KARINA A. P. LEITE CALDERONI – MÉDICA PSIQUIATRA

Você conhece alguém que bebe demais, tem vários problemas por conta disso e mesmo assim não consegue controlar o uso de álcool? Então preste atenção pois pode se tratar de uma dependência do álcool ou alcoolismo. Leia esse texto ou clique na imagem abaixo para assistir ao vídeo que eu gravei para o Canal Doutor Ajuda.

O álcool sempre acompanhou a humanidade estando presente em rituais religiosos, na gastronomia e nos momentos de festa e confraternização. Por outro lado, também estimula a agressividade, aumenta o número de acidentes e causa muitos problemas que vou comentar aqui.

A maioria das pessoas que bebe faz isso de forma moderada e não é considerada dependente, por isso, ainda existe uma grande dificuldade de se perceber quando o uso de álcool passa a ser considerado um problema de saúde, uma doença, que nós chamamos de alcoolismo, dependência do álcool ou, mais recentemente, transtorno por uso de álcool.

O diagnóstico de alcoolismo não tem relação com o tipo e a quantidade de bebida ingerida, mas sim com a presença de 2 características: prejuízos relacionados ao álcool e a dificuldade em controlar o consumo. 

Os sinais e sintomas da dependência do álcool são os seguintes:

  • Falta de controle sobre o consumo, que significa beber mais e gastar mais tempo do que gostaria bebendo ou se recuperando dos efeitos
  • Desejo intenso ou urgência em consumir álcool que é chamado de “fissura”
  • “Tolerância”, que significa precisar de quantidades cada vez maiores de álcool para obter o mesmo efeito.
  • Síndrome de abstinência: que é uma série de sintomas que acontecem quando a pessoa diminui o consumo ou para de beber (serão especificados mais adiante).
  • Ter vários prejuízos ou problemas relacionados ao uso de álcool, pensar muitas vezes em parar de beber, mas mesmo assim, não conseguir

 Quanto aos prejuízos relacionados ao álcool, os mais importantes de se notar são:

  • O álcool está atrapalhando as obrigações no trabalho, na escola ou em casa?
  • Estão aparecendo problemas sociais e de relacionamento, como por exemplo brigas, separação e afastamento de amigos?
  • A pessoa está deixando de fazer ou diminuindo muito outras atividades sociais e de lazer que não estejam relacionadas à bebida?
  • Tem se colocado em situações de risco físico como, por exemplo, dirigir alcoolizado?
  • Tem tido problemas de saúde relacionados ao uso de álcool, como problemas no fígado, estômago, circulação, pressão alta entre outros?

SÍNDROME DE ABSTINÊNCIA ALCOÓLICA:

Quando um dependente de álcool diminui ou para de beber, ele desenvolve sintomas de abstinência que são: tremores, náuseas, vômitos, diarreia, suor excessivo, ansiedade, irritação, insônia. Esses sintomas podem ser tratados com medicação em casa.

Porém os dependentes graves, com longa história de uso, podem ter uma síndrome de abstinência mais grave que é chamada de abstinência complicada com delirium tremens. Os sintomas são: confusão mental, alucinações (a pessoa vê bichos, insetos ou vultos onde não existem essas coisas) e tremores marcantes. Também costuma haver delírios (como ideias de perseguição ou de que tem alguém tentando lhe matar), agitação, insônia ou trocar o dia pela noite.

Na abstinência dos pacientes mais graves também podem ocorrer convulsões e boa parte deles evolui para o delirium tremens.

Este é um quadro muito grave e pode levar até à morte, por isso é necessário um atendimento de urgência no pronto-socorro e o paciente será hospitalizado para tratar a abstinência.

Para finalizar…

Como foi colocado aqui, o alcoolismo é uma doença e tem consequências clínicas e sociais sérias. Mesmo assim, as pessoas tem muita dificuldade em reconhecer o problema principalmente nas fases iniciais. Por vários motivos, o dependente de álcool tende a negar o diagnóstico, ou seja, não aceita que tenha um problema e nem que precise de tratamento. Essa negação é comum e faz parte do quadro.

Como essas pessoas podem ser ajudadas? Não é uma tarefa fácil, mas as melhores ferramentas ainda são:

  • Conhecimento para se entender o problema e a gravidade da doença
  • Sensibilidade para adotar uma postura que não deve ser nem de acusação e julgamento, mas também não pode ser conivente ou fingir que não existe um problema
  • Atitude para buscar ajuda e tratamento com profissionais especializados. Mesmo que o paciente ainda não aceite, familiares e amigos podem e devem buscar aconselhamento.

Se você ou algum conhecido seu está tendo esses problemas que mencionei aqui, procure um médico psiquiatra ou psicólogo especializado.

O processo de reabilitação é difícil e pode haver recaídas, mas com o tratamento as chances de sucesso são muito maiores.

Clique na imagem abaixo se quiser ver o video do Canal Doutor Ajuda

Alcoolismo

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