Mentira, mitomania e contatos sociais

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Mentira, mitomania e contatos sociais

Mentir pode ser algo normal, quando falamos das mentirinha sociais, como diria House todo mundo mente! E concordo, todo mundo mente, por exemplo quando perguntamos a alguém Você está bem? Na grande maioria das vezes não estamos interessados em saber como a pessoa está. E quando respondemos Tudo bem! algumas vezes podemos não estar falando a verdade, e mais do que isso, as pessoas que muitas vezes respondem a verdade algo do tipo: – Mais ou menos, estou com dores, pouco dinheiro e preocupado com a situação econômica do país, será considerado uma pessoa má educada, reclamona, ou chata.
Por isso muitas vezes essa situação não são consideradas mentiras, apesar de não serem verdades. A mentira considerada pela moral como Mentira é aquela que tem a intenção de enganar e obtenção de alguma vantagem com isso. Juridicamente a mentira está relacionada ao dolo ou prejuízo que causa a outra pessoa.

A mentira não é apenas invenção deliberada, uma ficção, pois nem toda ficção ou fábula é sinônimo de mentira. Não pode ser mentira a literatura, a arte ou mesmo a demência (sintoma da confabulação). A intencionalidade é que define a mentira, estabelece o dano ou dolo.
Assim sendo, não mente quem acredita naquilo que diz, mesmo que isto seja falso. Santo Agostinho declara que “Quem enuncia um fato que lhe parece digno de crença ou acerca do qual forma opinião de que é verdadeiro, não mente, mesmo que o fato seja falso”.
Se todos nós falassemos a verdade o tempo todo teríamos muita dificuldade de viver em sociedade, imagine se saíssemos contando a todas as criancinhas o que sabemos do Papai Noel, ou dos palhaços, é bastante provável que teríamos problemas com os pais destas crianças. Ou ainda se respondermos sinceramente como ficou aquele vestido naquela pessoa que não tem mais a possibilidade de trocar por já estar festa.
Algumas pessoas mentem devido a sua insegurança, para não desagradar as pessoas, ou até mesmo para deixar as suas histórias mais interessantes, apimentadas, enaltecer suas habilidades de forma a causar uma impressão mais favorável em outras pessoas ou mesmo aumentar as suas chances de serem aceitas socialmente.
O quadro mais grave onde a mentira aparece como sintoma importante é o Transtorno Anti-Social da Personalidade.  Embora qualquer pessoa possa mentir, temos de distinguir a mentira banal da mentira psicopática. O psicopata utiliza a mentira como uma ferramenta de trabalho. Normalmente está tão treinado e habilitado a mentir que é difícil captar quando mente. Ele mente olhando nos olhos e com atitude completamente neutra e relaxada.
Normalmente o psicopata diz o que convém e o que se espera para aquela circunstância. Ele pode mentir com a palavra ou com o corpo, quando simula e teatraliza situações vantajosas para ele, podendo fazer-se arrependido, ofendido, magoado. Tendo o claro objetivo de obter alguma vantagem com isso, quer ser admirado, quer ser o mais rico, mais bonito, melhor vestido. Assim, ele tenta adaptar a realidade à sua imaginação, à seu personagem do momento, de acordo com a circunstância e com sua personalidade é narcisística. Esse indivíduo pode converter-se no personagem que sua imaginação cria como adequada para atuar no meio com sucesso, propondo a todos a sensação de que estão, de fato, em frente a um personagem verdadeiro.
Há também o Mitomaniaco, ou o mentiroso compulsivo, este não consegue dizer a verdade, para ele dizer a verdade é um sofrimento. O objetivo da mentira é diferente do psicopata ou fraudador, o mitomaniaco não mente com o ojetivo claro de obter vantagem com isso. Contam suas histórias e de certa forma vivenciam elas mesmo tendo a conciência que se trata de uma mentira, e isso traz um certo conforto.
Normalmente está relacinado a situações de baixa autoestima, quadros depressivos e ansiosos, situações de conflitos familiares importantes, angustia e Transtorno Obsessivo Compulsivo.
Não se sabe ao certo os motivos pelos quais a mitomania se manifesta. Primeiro, porque acarreta milhares de fatores sócio-psicológicos da pessoa afetada e, segundo, porque enfatiza uma situação social, podendo, então, mostrar-se eventual dependendo das circunstâncias presentes na época em que o indivíduo está vivendo. Na maioria das vezes é por desejo de aceitação daqueles que o rodeiam.
O tratamento do indivíduo reside muitas vezes na implementação de um quadro de cuidados que associa o tratamento em meio psiquiátrico do problema subjacente a um acompanhamento psicoterapêutico. Tal acompanhamento torna-se a parte mais importante, sendo realizado pelas pessoas que rodeiam o mitômano e que o mesmo requisitou para ajudá-lo. É importante nunca negar ao mesmo tal acompanhamento, sendo este a chave para a cura, até mais importante que um tratamento psiquiátrico.
Seja lá qual for o motivo que você mente, observe, veja se pode mentir menos, procure entender qual é esse motivo e tente mentir menos, pois como minha mãe dizia: A mentira não leva a lugar nenhum! Com certeza ao refletirmos sobre isso iremos perceber que podemos mentir menos, com isso com certeza seremos pessoas melhores para quem está a nossa volta!!!!

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